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Pernas para o ar

Isabel G. Couso

Un artigo de Isabel G. Couso

Novembro distribúe de fiestras para afora as primeiras chuvias do outono. Chea de pesimismo, deses que pesan mais do que o propio corpo, tiro hoxe da literatura para achegar a miña reflexión-opinión mensual. O escritor mozambicano, Mía Couto, virou propietario do meu tempo e é a el a quen quero adicar estas letras en obra.

En Cronicando tira da fantasía africana para contármonos historias nas que, alén da realidade relatada con mestría, fica a denuncia da corrupción en Mozambique. Na Galiza como en Maputo, a ratería, a inxustiza e a corruptela son fillas do mesmo poder. Eis unha crónica, da que tirar proveito: “A rúa de pernas para o ar”.

Relata o conto como un enormísimo estrondo espertou a veciñanza de todo un barrio. E segue, no textual: “Na estrada lhes surgiu, extraordinário, o motivo do estrondo: um camião militar cambalhotado! As rodas ainda giravam, bêbedas. Juvenal deu a volta ao veículo gigante, apreciando o insólito. Parecia um bicho verde-escuro nascido de um grande projecto, uma tartaruga prospectiva-indicativa. Olhou em volta: aquele acidente não tinha aparência. Não havia outra viatura, não havia desses postes do passeio que muito atrapalham a circulação nas estradas. Juvenal espiou a cabina. O condutor, de cabeça para baixo, ainda remanescia ao volante. Parecia alheio á inversão da paisagem” (…)

“E sorriu-se para o condutor as avessas. Confessou: por momentos, acreditara que aquele camião tivesse virado. Não, calma. Não estou a dizer que está. O que se passa, afinal, é que a rua esta de pernas para o ar. Acontece (…) O motorista, então, saiu do camião (…) Falou, com voz patenteada: então vocês não se envergonham, numa altura dessas, em véspera do Congresso, apresentarem uma rua virada ao contrário? Cabisbaixinhos, os moradores se condoíam. -E agora, por punição, vocês todos vão meter esse camião de cabeça para baixo.
O Juvenal, predispronto, incitou a multidão a ser participassiva: Vamos, gente, vamos endireitar o camião. Endireitar, não, rectificou o motorista. Virar, conforme a alteração da rua. E todos, homens e mulheres, se aplicaram a revirar o gigante de ferro”.

Acontece que este xenial conto do Mía Couto que, a retallos, quixen partillar, trae á miña memoria outras tantas historias nas que no diario consentimos con aquilo de que chove. Concepcións franquistas da educación, chanceleres alemás asociadas á Troika ou, o máis noso, Mister Pemex poñen a cotío sobre o tapete unha realidade que se converte en fonte de denuncia, mais tamén en chafariz do que tirar, aos poucos, a inspiración literaria.

Gosto desta literatura. Da que parte da ironía, da retranca, da parodia… mais tamén da realidade para ofrecérmonos unha pílula de reflexión que, lonxe de moralizar, constrúe no lector. En tempos de consumo rápido e de lixo considerado, humildemente defendo a creación como reflexo do compromiso. Aínda máis, cando o propio mundo anda virado ao contrario e nós coas pernas para o ar.

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